{"id":13433,"date":"2024-04-06T17:48:51","date_gmt":"2024-04-06T20:48:51","guid":{"rendered":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/?p=13433"},"modified":"2024-04-06T17:52:42","modified_gmt":"2024-04-06T20:52:42","slug":"ivone-zanotto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/2024\/04\/06\/ivone-zanotto\/","title":{"rendered":"Ivone Zanotto"},"content":{"rendered":"\n<p>Ivone Zanotto nasceu em Palmeiras, Rio Grande do Sul, e \u00e9 filha de agricultores. Na regi\u00e3o, plantava-se fumo, com a fam\u00edlia tamb\u00e9m envolvida em serralharia. Sua inf\u00e2ncia foi marcada por trabalho na lavoura e na escola. Na \u00e9poca as mulheres se envolviam tanto com trabalho dom\u00e9stico quanto na agricultura. Dona Ivone \u00e9 uma de 12 irm\u00e3os. Aos 13 anos, mudou-se para o Paran\u00e1 com a fam\u00edlia, buscando melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1978 casou-se com Dion\u00edsio Zanotto. Ap\u00f3s tr\u00eas anos, a fam\u00edlia Zanotto deixou o estado do Paran\u00e1 e veio se estabelecer no oeste da Bahia, com a aquisi\u00e7\u00e3o de uma propriedade, na regi\u00e3o do novo Paran\u00e1. A regi\u00e3o fica aproximadamente a 20 km de Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es (LEM), onde hoje existe o povoado do Novo Paran\u00e1, oficializado como distrito de LEM. Com uma popula\u00e7\u00e3o de duas mil pessoas e uma \u00e1rea de aproximadamente 100 hectares, o Novo Paran\u00e1 \u00e9 o lar dos Zanotto.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Ivone Zanotto nos contou que, na \u00e9poca da mudan\u00e7a, apesar de ser uma novidade, n\u00e3o achou dif\u00edcil se adaptar. Trouxeram uma casa de madeira do Paran\u00e1 e a instalaram \u00e0 beira do rio Bor\u00e1, onde criou sua primeira filha. Nesta nova vida, ela desempenhava diversas fun\u00e7\u00f5es na fazenda, desde cozinhar para os funcion\u00e1rios at\u00e9 puxar \u00e1gua do rio, atividades que j\u00e1 estava acostumada a fazer desde a inf\u00e2ncia, quando ajudava seus pais na lida da ro\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A energia que abastecia a casa era fornecida por um gerador a diesel, que s\u00f3 podia ficar ligado por algumas horas, devido \u00e0 escassez de combust\u00edvel. Lampi\u00f5es a g\u00e1s eram usados para iluminar a noite, e at\u00e9 a geladeira funcionava a g\u00e1s. Ap\u00f3s cerca de quatro anos, a energia el\u00e9trica foi instalada, o que permitiu melhorias, como a instala\u00e7\u00e3o de um motor para puxar \u00e1gua do rio e abastecer a casa. A senhora Ivone relembra:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;<em>Havia dias em que levant\u00e1vamos sem saber o que fazer, porque n\u00e3o t\u00ednhamos absolutamente nada. Em Barreiras, s\u00f3 havia um supermercado e uma padaria dentro do antigo Pinguim, que hoje n\u00e3o sei o que se tornou. N\u00e3o existiam telefones nem televis\u00e3o por perto, exceto nos postos como o Banco do Brasil, Pol\u00edcia Federal e Receita. Lembro que apenas cinco lugares tinham telefone em Barreiras. Quando \u00edamos \u00e0 cidade uma vez por m\u00eas, resolv\u00edamos tudo durante o dia e, antes de voltar para casa, fic\u00e1vamos na fila na Telebahia para ligar para os parentes no Paran\u00e1.<\/em>&#8221;&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"1116\" src=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13438\" style=\"width:815px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image.jpeg 1600w, https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image-300x209.jpeg 300w, https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image-1024x714.jpeg 1024w, https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image-768x536.jpeg 768w, https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image-1536x1071.jpeg 1536w, https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/image-600x419.jpeg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ivone Zanotto em entrevista &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o: Epopeia do Agro, 2021<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quando estava gr\u00e1vida de sua segunda filha, aos 8 meses de gesta\u00e7\u00e3o, Ivone Zanotto lembra que n\u00e3o se sentia bem e precisou ir a Barreiras para ver um m\u00e9dico. Nesse dia, estava aplicando veneno com a m\u00e1quina nas costas. Ao chegar em Barreiras, o m\u00e9dico informou que faria o parto naquele dia mesmo, o que foi um choque para todos. &#8220;A mais velha tinha nascido de 7 meses e ela uns dias para 8 meses, n\u00e3o tinha levado nada&#8221;, lembra Ivone. Com o apoio de um conhecido que morava l\u00e1, ela deu \u00e0 luz sua filha. Depois de 8 dias, retornou para casa e continuou seu trabalho na fazenda sem interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Ivone sempre enfrentou os desafios com determina\u00e7\u00e3o, procurando solu\u00e7\u00f5es para as dificuldades. Criada na ro\u00e7a, ela valoriza esse ambiente e incentiva seus filhos a permanecerem na fazenda, mostrando-lhes a import\u00e2ncia do trabalho e como o sustento da fam\u00edlia \u00e9 obtido. Para ela, a cidade \u00e9 algo estranho, e a vida no campo \u00e9 o que realmente importa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-us.googleusercontent.com\/Xi1gytiOdfqZsT1E7FdeidLjjsEzNVTzkcRcb_K_ldG4gzeelMOJwa0FwGlcjYmdO82167ZtYoXlXhxM3Ft0goHSEfE3PMxiR349dr_FaMUqYlgcnoMovsrfiX34LmNijpmd0viGsa-mja-ovx6gk-0\" alt=\"\" style=\"width:837px;height:auto\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dion\u00edsio e Ivone Zanotto em sua propriedade rural, visitando a planta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o em 2021<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A li\u00e7\u00e3o que Dona Ivone pode deixar para as futuras gera\u00e7\u00f5es, especialmente para as mulheres no agroneg\u00f3cio, \u00e9 a import\u00e2ncia de incentivar os filhos a se envolverem na fazenda e compreenderem de onde vem o sustento familiar. Ela destaca que, mesmo que as crian\u00e7as n\u00e3o compreendam completamente no momento, \u00e9 essencial que saibam sobre a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e o trabalho \u00e1rduo envolvido. Para ela, a agricultura n\u00e3o \u00e9 apenas uma profiss\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma paix\u00e3o que ela carrega desde sempre. Assim, ela encoraja sua fam\u00edlia e outras pessoas a permanecerem na agricultura, pois acredita ser a melhor op\u00e7\u00e3o para aqueles que cresceram nesse meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Descubra mais hist\u00f3rias inspiradoras de mulheres no agroneg\u00f3cio. Leia outras entrevistas e mergulhe nesse universo de determina\u00e7\u00e3o e paix\u00e3o pelo campo. <strong><a href=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/tag\/mulheres-no-agro\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/tag\/mulheres-no-agro\/\">Clique aqui para acessar.<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulher forte do agro compartilha sua jornada e sabedoria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13441,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[113],"tags":[164,281,156,266,214,180,243,280,123,121],"class_list":["post-13433","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-agricultura","tag-algodao-2","tag-barreiras","tag-cultivo-de-algodao","tag-lem","tag-luis-eduardo-magalhaes-2","tag-mulheres-empreendedoras","tag-mulheres-no-agro","tag-oeste-da-bahia","tag-pioneirismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13433"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13433\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13443,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13433\/revisions\/13443"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}