{"id":11777,"date":"2023-06-26T20:23:35","date_gmt":"2023-06-26T23:23:35","guid":{"rendered":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/?p=11777"},"modified":"2024-01-10T21:48:41","modified_gmt":"2024-01-11T00:48:41","slug":"ignez-pitta-de-almeida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/2023\/06\/26\/ignez-pitta-de-almeida\/","title":{"rendered":"Ignez Pitta de Almeida"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"11777\" class=\"elementor elementor-11777\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-7526fe28 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default qodef-elementor-content-no\" data-id=\"7526fe28\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7103a2b0\" data-id=\"7103a2b0\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3522569d elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"3522569d\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.15.0 - 31-07-2023 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#69727d;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#69727d;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Pedagoga, historiadora e escritora de poesias sobre o passado e o presente de Barreiras.. Fundadora da Academia Barreirense de Letras. Filha de imigrantes, Ignez herdou a admira\u00e7\u00e3o do seu pai pelas terras do Cerrado. Ela se dedica a preservar e divulgar a hist\u00f3ria de sua cidade, colecionando documentos, fotografias e objetos hist\u00f3ricos que foram incorporados ao acervo do Museu Municipal Napole\u00e3o de Mattos Macedo. Ignez \u00e9 casada, tem tr\u00eas filhos e netas.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":11782,\"width\":657,\"height\":370,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/ignes5-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"657\" height=\"370\"><p><\/p>\n<figcaption>Dona Ignez durante a entrevista em junho de 2022<\/figcaption>\n<\/figure>\n<p><!-- \/wp:image --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph {\"align\":\"center\"} --><\/p>\n<p>\n<\/p><p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Na entrevista para a equipe Epopeia do Agro, Ignez fala sobre a regi\u00e3o de S\u00e3o Desid\u00e9rio e Barreiras, cidades da regi\u00e3o oeste da Bahia e Casa Nova, pertencente \u00e0 microrregi\u00e3o de Juazeiro, mais precisamente localizada no M\u00e9dio S\u00e3o Francisco.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Antigamente, quando n\u00e3o havia estradas, a navega\u00e7\u00e3o na bacia do Rio Grande era o principal meio de transporte. O porto de Barreiras chegava a receber dez navios de uma s\u00f3 vez, incluindo navios a vapor, que eram populares na navega\u00e7\u00e3o fluvial, e depois as barcas mais modernas movidas a \u00f3leo diesel.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":12093,\"width\":658,\"height\":423,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Screenshot-2023-06-09-at-13-22-12-Simple-Red-and-Beige-Vintage-Illustration-History-Report-Presentation.png\" alt=\"\" width=\"658\" height=\"423\"><p><\/p>\n<figcaption>Navio a vapor pertencente \u00e0 empresa do Coronel Ant\u00f4nio Balbino de Carvalho &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o: Documentos Barreirenses, Cole\u00e7\u00e3o do Professor, 2005<\/figcaption>\n<\/figure>\n<p><!-- \/wp:image --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Dona Ignez conta que a funda\u00e7\u00e3o de Barreiras est\u00e1 ligada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de borracha no Cerrado, coberto por mangabeiras. Em 1870, Barreiras era apenas um povoado, chamado S\u00e3o Jo\u00e3o das Barreiras, e essa demanda da ind\u00fastria internacional gerou um grande fator de enriquecimento para a regi\u00e3o. O nome atual da cidade se originou das barcas que chegavam e n\u00e3o conseguiam prosseguir viagem rio acima devido a uma forma\u00e7\u00e3o de pedras naturais que bloqueava a navega\u00e7\u00e3o. Essas forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o conhecidas como &#8220;barreiras&#8221;.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">A partir da d\u00e9cada de 1970, a navega\u00e7\u00e3o deixou de ser poss\u00edvel devido \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da barragem de Sobradinho, que criou um dos maiores lagos artificiais do mundo, impossibilitando o tr\u00e1fego de navios. Barreiras enfrentou grande dificuldade para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e outros produtos industrializados na regi\u00e3o. As estradas asfaltadas na regi\u00e3o s\u00f3 come\u00e7aram a ser constru\u00eddas ap\u00f3s a chegada do 4\u00ba BEC (Batalh\u00e3o de Engenharia de Constru\u00e7\u00e3o), em 1972. Havia apenas uma estrada para Bras\u00edlia aberta na d\u00e9cada de 50 pelo ent\u00e3o presidente Juscelino Kubitscheck. &nbsp;Na \u00e9poca, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) solicitou a abertura de um hospital, uma vez que o trabalho manual na constru\u00e7\u00e3o de estradas poderia levar a acidentes.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">O hospital j\u00e1 havia sido constru\u00eddo e doado pelo doutor Geraldo Rocha ao presidente Eurico Dutra em 1946, mas s\u00f3 foi inaugurado depois pelo DNOCS. Dona Ignez destaca que o primeiro m\u00e9dico barreirense a fazer especializa\u00e7\u00e3o em cirurgia foi Herculano Faria Filho, membro de uma das fam\u00edlias fundadoras da cidade. O filho Orlando continuou o legado do pai, exercendo a profiss\u00e3o de m\u00e9dico e a sua admira\u00e7\u00e3o por Barreiras, escrevendo um livro que contribuiu para o in\u00edcio da Academia Barreirense de Letras.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">At\u00e9 1970, o sistema de transporte de Barreiras consistia em duas companhias de navega\u00e7\u00e3o a vapor que levavam pessoas e mercadorias para Salvador, Belo Horizonte, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. A cidade tinha uma f\u00e1brica de tecidos de algod\u00e3o, cuja pluma era levada para Belo Horizonte e os caro\u00e7os eram prensados em Petrolina para extrair \u00f3leo e produzir ra\u00e7\u00e3o para o gado. Quando a navega\u00e7\u00e3o foi encerrada antes das estradas serem constru\u00eddas, n\u00e3o havia mais possibilidade de transportar as mercadorias e o algod\u00e3o, principal fonte de renda, deixou de ser produzido. Isso aconteceu porque quando o 4\u00ba BEC iniciou as opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, uma parte do pessoal foi fazer as estradas e outros foram fazer o pr\u00f3prio quartel deles e as vilas, o que levou alguns anos at\u00e9 ficarem prontas. A falta de planejamento dificultou muito a vida das pessoas que moravam em Barreiras, principalmente no per\u00edodo de chuvas:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\"><em>\u201cUm \u00f4nibus parava aqui e botava uma corda, as pessoas sa\u00edam penduradas para pegar outro do outro lado, isso at\u00e9 ser asfaltada a estrada, mas apesar de tudo isso, a coisa andava porque precisava, eu mesma quando neste per\u00edodo de pegar na corda, eu n\u00e3o tive coragem\u201d<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Na \u00e9poca, a Dona Ignez precisava viajar para Salvador pois havia come\u00e7ado a trabalhar no FUNRURAL (Fundo de Assist\u00eancia ao Trabalhador Rural). Ela deixou a profiss\u00e3o de educadora para amparar os agricultores que enfrentavam condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho, alguns sem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de moradia e alimenta\u00e7\u00e3o. Ignez continuou trabalhando no \u00f3rg\u00e3o por 17 anos at\u00e9 a sua extin\u00e7\u00e3o durante a gest\u00e3o do presidente Collor.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Para realizar esse trajeto, Dona Ignez cita tamb\u00e9m o aeroporto de Barreiras, indicando que foi constru\u00eddo estrategicamente e por isso considerado um dos mais importantes do Brasil em 1964. Geraldo Rocha, que observou que Barreiras estava bem no epicentro dessa rota, de Bel\u00e9m ao Rio de Janeiro, fez contato com a Pan Am do Brasil, fundada pela Pan American, que era a companhia que fazia essa rota dos Estados Unidos ao Rio de Janeiro e Buenos Aires. Ent\u00e3o, eles verificaram que se constru\u00edssem um aeroporto, o avi\u00e3o tinha condi\u00e7\u00e3o de ser reabastecido por causa da linha hidrovi\u00e1ria e ferrovi\u00e1ria, diminuindo o tempo de viagem e o pre\u00e7o da passagem.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\"><em>\u201cNa inaugura\u00e7\u00e3o em 1941, Get\u00falio Vargas veio, mas n\u00e3o desceu aqui na cidade, ficou s\u00f3 l\u00e1 em cima junto com as autoridades americanas, inclusive saiu um artigo na revista Times americana com esse t\u00edtulo &#8220;dois dias a menos para o Rio&#8221;<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">At\u00e9 1945, o aeroporto tamb\u00e9m sediou uma base militar de guerra. Ele foi constru\u00eddo em formato de rosa dos ventos e \u00e9 poss\u00edvel ver nas fotos de sat\u00e9lite. Esse formato possibilita escolher a pista de pouso dependendo da dire\u00e7\u00e3o do vento. Atualmente, Ignez Pitta se empenha em preservar a \u00faltima casa original do tempo da constru\u00e7\u00e3o do aeroporto de Barreiras.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":11779,\"width\":640,\"height\":404,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image.png\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"404\"><p><\/p>\n<figcaption>Aeroporto de Barreiras \u2013 Imagem: Google Earth, via FlightRadar24<\/figcaption>\n<\/figure>\n<p><!-- \/wp:image --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Durante a entrevista, Dona Ignez explicou a origem da regi\u00e3o de Barreiras. Fizemos uma breve estrutura\u00e7\u00e3o utilizando relatos de sua entrevista e informa\u00e7\u00f5es registradas por ela em um de seus livros que conta em detalhes toda a origem, assim como o livro &#8220;O Rio S\u00e3o Francisco\u201d de Geraldo Rocha.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">A coloniza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio do oeste da Bahia teve in\u00edcio a partir da identifica\u00e7\u00e3o pelos bandeirantes de que aqui se encontravam condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis de clima e solo para agropecu\u00e1ria, verificando uma imensa bacia hidrogr\u00e1fica composta de rios perenes. Na divis\u00e3o do Brasil em capitanias, em 1534, D. Jo\u00e3o III doou ao portugu\u00eas Duarte Coelho Pereira toda a \u00e1rea desde o litoral, seguindo \u00e0 esquerda do rio S\u00e3o Francisco, at\u00e9 a divisa de onde \u00e9 hoje Minas Gerais. Em 1549 Tom\u00e9 de Sousa, o primeiro governador geral da Col\u00f4nia chega no atual estado da Bahia, trazendo com ele Francisco Garcia D\u2019 \u00c1vila, quem deu de fato o in\u00edcio ao desbravamento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Garcia D\u2019 \u00c1vila era filho natural de Tom\u00e9 de Souza e recebeu uma \u00e1rea de terra perto de Salvador, onde construiu a casa da Torre, que foi a \u00fanica casa fortificada feita de pedra na \u00e1rea, ficando conhecido como Conde da Torre. A partir disso a fam\u00edlia come\u00e7ou a explorar o interior, chegando at\u00e9 Ibotirama e Barra, que eram fazendas deles. Uma parte da regi\u00e3o era da fam\u00edlia D\u2019 \u00c1vila e a outra parte era do Morgado da casa da ponte em Morro do Chap\u00e9u. Dona Ignez explicou que os reis doaram terras para pessoas ricas na expectativa de defender o territ\u00f3rio de invasores estrangeiros. Ant\u00f4nio Guedes de Brito, sesmeiro de 160 l\u00e9guas do rio S\u00e3o Francisco (aproximadamente 960 km), era dono de uma grande \u00e1rea em Barreiras, mas n\u00e3o conseguiu explorar porque era muito extenso e os seus descendentes optaram por vender a terra. Em 1749, Jo\u00e3o Martins foi um dos compradores, ele recebeu uma carta de sesmaria do governador de Pernambuco relativa a 50 l\u00e9guas de terra (aproximadamente 300 km). Ele fundou fazendas do outro lado do rio, onde hoje est\u00e1 S\u00e3o Desid\u00e9rio, e em Barreiras fundou a fazenda Maravilha, hoje chamada de fazenda \u00c1gua Doce do Dr. Geraldo. Anos depois os descendentes de Jo\u00e3o Martins venderam parte das terras aos irm\u00e3os Almeida, portugueses que chegaram a Angical no fim do s\u00e9culo XVIII. Ao longo da hist\u00f3ria houveram mudan\u00e7as de nomes e sedes, o que pode confundir a compreens\u00e3o da continuidade hist\u00f3rica das fazendas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Na regi\u00e3o do Mucambo, existia a fazenda Tapera, onde se produzia rapadura, a\u00e7\u00facar e cacha\u00e7a. Em seus estudos, Dona Ignez ficou sabendo que a sede da fazenda j\u00e1 abrigou inclusive um Quilombo. Segundo ela, essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o question\u00e1veis pois, neste local era a sede da fazenda Tapera.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">A produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola inclu\u00eda feij\u00e3o, arroz, farinha, tapioca, rapadura, cacha\u00e7a, algod\u00e3o e mangaba. A mangaba, inclusive, foi um produto que abriu caminho para tudo, pois a agricultura era mais lenta na \u00e9poca. Quando o Porto foi estabelecido em Barreiras, em 1825, come\u00e7ou a haver mais movimento na regi\u00e3o. Pl\u00e1cido Barbosa, funcion\u00e1rio de Jos\u00e9 Joaquim Almeida, o Coronel de Angical, foi o primeiro habitante de Barreiras. As barcas traziam produtos industrializados de Juazeiro e levavam a produ\u00e7\u00e3o rural para outras \u00e1reas secas da Bahia.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\"><em>\u201cEm 1927, meu pai estava em Casa Nova, onde hoje existe at\u00e9 uma vin\u00edcola devido \u00e0 irriga\u00e7\u00e3o. Naquela \u00e9poca, muitos homens sa\u00edam daqui em busca de meios de subsist\u00eancia, pois n\u00e3o chovia muito. Meu pai tinha uma lojinha e uma fazendinha, mas a situa\u00e7\u00e3o era dif\u00edcil. \u201d<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">A navega\u00e7\u00e3o no curso do rio Grande influenciou na cria\u00e7\u00e3o de arraiais e cidades na regi\u00e3o. Ignez explica que o arraial era o primeiro n\u00facleo oficial, que depois evoluiu para munic\u00edpios, sua cria\u00e7\u00e3o tinha como objetivo proporcionar mais seguran\u00e7a para os povoados e fazendas da regi\u00e3o, legalizando as suas atividades agr\u00edcolas.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Na \u00e9poca em que a Dona Ignez estava trabalhando com os documentos do FUNRURAL, ela ficou sabendo de uma lenda da funda\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o onde atualmente \u00e9 o munic\u00edpio de Mansid\u00e3o, no oeste da Bahia. A tradi\u00e7\u00e3o oral relata que os escravos fugitivos de Zumbi dos Palmares se estabeleceram nas margens do Rio Preto, o nome Mansid\u00e3o vem de um boi que era muito manso. Ignez mostra como a hist\u00f3ria da regi\u00e3o de Barreiras \u00e9 complexa e cheia de nuances, mas que pode ser compreendida por meio de estudos e pesquisas.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":11781,\"width\":639,\"height\":359,\"sizeSlug\":\"large\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/image-2-1024x576.png\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"359\"><p><\/p>\n<figcaption>Dona Ignez durante a entrevista em junho de 2022<\/figcaption>\n<\/figure>\n<p><!-- \/wp:image --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">As fazendas antigas foram originadas de cartas de sesmaria e foram legalizadas atrav\u00e9s de venda e regulariza\u00e7\u00e3o. A maior parte da regi\u00e3o foi dividida em fazendas, menos a parte do cerrado onde o solo era mais \u00e1cido, inadequado para agricultura e a pastagem do gado.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Ela explica que a irriga\u00e7\u00e3o come\u00e7ou na regi\u00e3o oeste da Bahia por volta da d\u00e9cada de 1970, mas como todo novo projeto enfrentou grandes dificuldades, n\u00e3o surtindo o resultado desejado na \u00e9poca. &nbsp;No entanto, outras regi\u00f5es semi\u00e1ridas tiveram um impacto positivo com a irriga\u00e7\u00e3o, produzindo frutas, incentivando por exemplo o estabelecimento de vin\u00edcolas que n\u00e3o existiam antes. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem diferente, a irriga\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o se destaca em efici\u00eancia na agricultura irrigada, proporcionando o cultivo em \u00e1reas antes consideradas improdutivas devido a baixa pluviosidade anual.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">At\u00e9 1979, n\u00e3o havia pesquisas para solucionar o problema da infecundidade da terra do solo, embora houvesse \u00e1gua, chuva e a nascente dos rios. Nessa \u00e9poca, Constantino Oliveira, pai da Deputada Jusmari Oliveira, conheceu os dois agr\u00f4nomos de Bras\u00edlia que estavam \u00e0 procura de terras na regi\u00e3o. Ant\u00f4nio Guadagnin e Hil\u00e1rio Kappes trouxeram uma solu\u00e7\u00e3o para a corre\u00e7\u00e3o da acidez do solo: a aplica\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio dolom\u00edtico mo\u00eddo. Os dois j\u00e1 foram entrevistados anteriormente pela equipe Epopeia do Agro.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Nessa \u00e9poca houve um fluxo de migra\u00e7\u00e3o de agricultores vindos do Sul e Sudeste, incluindo Ant\u00f4nio Guadagnin e Hil\u00e1rio Kappes que vieram com a sua fam\u00edlia. Eles relatam a dificuldade na compra das propriedades, pois as escrituras no cart\u00f3rio eram antigas. N\u00e3o havia uma demarca\u00e7\u00e3o clara do tamanho das \u00e1reas, alguns registros vieram de livros forais em Pernambuco, datados no per\u00edodo das capitanias heredit\u00e1rias no Brasil. As medidas das terras eram negociadas de acordo com o valor da escritura. Dona Ignez critica a omiss\u00e3o do governo do Estado da Bahia perante a regulariza\u00e7\u00e3o das terras no passado, envolvendo mais de 10 milh\u00f5es de hectares aproximadamente, de acordo com ela.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Ela descreve um epis\u00f3dio em que o coronel Francisco Rocha, chefe pol\u00edtico de Barreiras em 1930, sabotou a campanha eleitoral de Get\u00falio Vargas, impedindo que um navio a vapor com a equipe do candidato chegasse \u00e0 cidade. Vargas perdeu a elei\u00e7\u00e3o para J\u00falio Prestes, mas deu um golpe de estado e assumiu o poder. O coronel Francisco Rocha foi preso e houve uma investiga\u00e7\u00e3o das contas do prefeito. A escola agr\u00edcola em Barreiras, importante espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o educacional, foi transferida para Aracaju (SE) como forma de retalia\u00e7\u00e3o. Dona Ignez guarda muito material sobre o aprendizado agr\u00edcola, incluindo fotos e pap\u00e9is. Ela diz que muitos meninos da zona rural e de outros munic\u00edpios estudaram na escola agr\u00edcola, incluindo seu sogro, que era interno.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Al\u00e9m disso, muitos governadores foram substitu\u00eddos por militares, e isso afetou negativamente a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. Houve uma ordem para atacar a aldeia dos Aricob\u00e9s, mas o l\u00edder ind\u00edgena, Z\u00e9 Bereba, conseguiu fugir com a maioria dos ind\u00edgenas para Goi\u00e1s.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\"><em>\u201cEnt\u00e3o, essas pessoas que desde 1705 tiveram mission\u00e1rios, tiveram terra, tiveram agricultura, tiveram tudo perderam assim absolutamente tudo nesse per\u00edodo de Get\u00falio Vargas e hoje s\u00e3o v\u00e1rias pessoas muito pobres\u201d<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Dona Ignez conta que conheceu uma mulher ind\u00edgena, filha de uma \u00edndia da miss\u00e3o de Aricob\u00e9, que hoje trabalha como empregada dom\u00e9stica para sustentar sua fam\u00edlia. Ela enfrenta dificuldades financeiras, especialmente durante a pandemia. A m\u00e3e dela tinha uma imagem especial de Nossa Senhora das Dores feita pelos ind\u00edgenas, ela costumava levar essa imagem quando algu\u00e9m adoecia, e acredita-se que isso trazia cura.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":12091,\"width\":334,\"height\":449,\"sizeSlug\":\"full\",\"linkDestination\":\"none\"} --><\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/WhatsApp-Image-2023-05-17-at-19.29.30-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"449\"><p><\/p>\n<figcaption>Imagem de Nossa Senhora das Dores feita pelos ind\u00edgenas &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o: Documentos Barreirenses, Cole\u00e7\u00e3o do Professor, 2005:<\/figcaption>\n<\/figure>\n<p><!-- \/wp:image --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\"><em>\u201cEssa imagem \u00e9 \u00fanica porque retrata Jesus usando uma tanga ind\u00edgena, enquanto a roupa de Nossa Senhora segue os c\u00e2nones crist\u00e3os, eu acho que eles n\u00e3o entenderam como vestir Jesus e optaram pela tanga. Infelizmente, a imagem n\u00e3o est\u00e1 mais como antes, mas h\u00e1 uma hist\u00f3ria interessante por tr\u00e1s disso. \u201d<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Houve uma invas\u00e3o na comunidade ind\u00edgena, em que eles conseguiram escapar com a ajuda do l\u00edder Z\u00e9 Bereba, guiando-os na fuga e desviando o caminho dos soldados. Infelizmente tudo que ficou para tr\u00e1s na comunidade foi destru\u00eddo pelos soldados. Eles encontraram a imagem na casa da fam\u00edlia da senhora:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\"><em>\u201cO soldado pegou, amarrou uma corda na cela de um cavalo e saiu correndo para acabar com a imagem batendo no ch\u00e3o, a\u00ed uns homens que n\u00e3o eram ind\u00edgenas, a guerra n\u00e3o era com eles, foram na frente dele que n\u00e3o era para fazer aquilo. O soldado irritado foi l\u00e1, desamarrou e jogou no peito do homem de um deles que quase quebrou e a imagem perdeu a fisionomia\u201d<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; color: black;\">Quando o bispo local, Dom Ricardo, viu a imagem, ficou impressionado e decidiu lev\u00e1-la para Salvador, onde foi restaurada. Durante a restaura\u00e7\u00e3o, descobriu-se que a imagem original era pintada a ouro, provavelmente devido \u00e0 influ\u00eancia do ouro que vinha de Goi\u00e1s. O bispo sabia da import\u00e2ncia dessa imagem e pediu a ajuda \u00e0 Dona Ignez para registrar a hist\u00f3ria por escrito, pois ela s\u00f3 era transmitida oralmente. Mesmo sem dinheiro para publicar um livro, decidiram publicar a hist\u00f3ria em um formato de jornal. A imagem de Nossa Senhora foi publicada como um postal na publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><font color=\"#000000\">Ignez Pitta decidiu contar esses fatos hist\u00f3ricos aparentemente desconexos para mostrar que, embora n\u00e3o haja uma conex\u00e3o aparente, eles aconteceram durante o mesmo governo e mostram um pouco da hist\u00f3ria da regi\u00e3o. Apesar dos acontecimentos tristes e injustos, \u00e9 importante conhecer para entender e valorizar a cultura e as dificuldades enfrentadas pelos povos ind\u00edgenas e os agricultores do Oeste da Bahia.<\/font><\/p><p style=\"text-align: justify;\"><font color=\"#000000\"><br>O que voc\u00ea achou dessa hist\u00f3ria fascinante compartilhada por Ignez Pitta? Comente abaixo e compartilhe suas reflex\u00f5es sobre esses eventos hist\u00f3ricos que moldaram a regi\u00e3o. Sua opini\u00e3o \u00e9 valiosa! \ud83d\udc47\ud83d\udcdc<\/font><br><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pedagoga, historiadora e escritora de poesias sobre o passado e o presente de Barreiras.. Fundadora da Academia Barreirense de Letras. Filha de imigrantes, Ignez herdou a admira\u00e7\u00e3o do seu pai pelas terras do Cerrado. Ela se dedica a preservar e divulgar a hist\u00f3ria de sua cidade, colecionando documentos, fotografias e objetos hist\u00f3ricos que foram incorporados [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12121,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[113],"tags":[199,164,156,160,198,197,201,200,123],"class_list":["post-11777","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-4obec","tag-agricultura","tag-barreiras","tag-colonizacao","tag-funrural","tag-histora-da-bahia","tag-ignez-pitta","tag-indigenas","tag-oeste-da-bahia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11777"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11777\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13349,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11777\/revisions\/13349"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/epopeiadoagro.com.br\/epopeia\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}